O HOMEM

Dez anos de saudades.

No dia 6 de maio de 2006, o Rio Grande do Norte chorava a perda de Aluízio Alves, um dos maiores e mais populares líderes políticos da história do Estado. No cortejo fúnebre, o povo foi novamente às ruas brandindo as bandeiras verdes e ramos de árvores, símbolos da histórica Cruzada da Esperança, como ficou conhecida a mobilização de campanha de Aluízio para governador em 1960, numa última saudação ao “Cigano Feiticeiro”, apelido que ele ganhou na época. O jornalista, empresário, ex-governador do Estado e ex-ministro foi sepultado no lote 35, quadra 3, setor 2 do cemitério Morada da Paz, em Emaús, sob o toque de uma corneta, a salva de tiros da guarda de honra da PM e aplausos de amigos, admiradores e parentes. Terminava aí sua trajetória de 60 anos de vida pública. Ficava o legado.

Em 1933, aos 11 anos de idade, Aluízio Alves (no canto, à esquerda) na fundação do Partido Popular.

Com seus 12 anos incompletos, era o único menino presente à solenidade, de calças curtas, no meio de homens importantes da política.

Entre antigos membros do Partido Republicano, como o ex-governador José Augusto de Medeiros, e da Aliança Liberal, como o ex-prefeito de Caicó, Dinarte Mariz, lá estava o quinto dos nove filhos do comerciante Manoel Alves Filho e da dona de casa Maria Fernandes Alves.

Aluízio Alves nasce no dia 11 de agosto de 1921 e precocemente mostra inclinação e talento para o jornalismo e a política, atividades que desempenha durante praticamente toda a vida e com as quais escreve seu nome na história.

Do jornalzinho O Clarim, de solitário exemplar, ao poderoso sistema de comunicação composto pelo jornal Tribuna do Norte, rádio Cabugi e TV Cabugi. De integrante do movimento estudantil no colégio Atheneu, a deputado federal, governador do Rio Grande do Norte e ministro da Integração Regional. Aluízio sempre se mostrou um visionário e um homem de talento inigualável.

Um prodígio no jornalismo e na política.

Em 1932, nas férias escolares de fim de ano, Aluízio Alves cria o jornalzinho O Clarim. Tinha, então, 11 anos.

O menino usava a máquina de escrever do pai para datilografar as notícias em uma folha de papel.

Exemplar único, o jornal passava de casa em casa, de mão em mão, em Angicos, cidade do sertão potiguar onde ele nasceu e viveu quase toda a infância.

No início de 1933, já morando e estudando em Natal, participa da fundação do Partido Popular (PP). É quem redige a ata da reunião, ocorrida em 12 de fevereiro.

Aluízio Alves em sua juventude e o Jornal o Clarim.

O POLÍTICO

Surge o grande líder.

Aluízio Alves tem seu primeiro grande desafio como homem público aos 21 anos.

Com Natal invadida por camponeses fugidos da seca de 1942, ele é convidado para comandar a Campanha de Assistência aos Flagelados. Sua primeira providência é escrever a carta pública “Apelo à família natalense”, convocando todos para ajudar a população castigada pela estiagem.

Nesse período, cria a Legião Brasileira de Assistência (LBA), da qual se torna secretário-geral, e o Serviço Estadual de Reeducação e Assistência Social (Seras).

Funda ainda três abrigos para pessoas em situação de vulnerabilidade social: o Instituto Padre João Maria, para meninas, o Instituto Juiz Melo Matos, para meninos, e o Instituto Juvino Barreto, para idosos.

Em 1945, já casado com Ivone Lyra Alves, se candidata e é eleito deputado federal pela União Democrática Brasileira (UDN), partido que ajudou a fundar e que tem como líder José Augusto.

Eleito deputado federal com 24 anos, torna-se o mais jovem integrante a redigir a Constituinte de 1946, indo morar no Rio de Janeiro, então Distrito Federal e sede do jornal Diário de Notícias, do qual passa a ser articulista.

Vice-líder da bancada do seu partido e membro da Comissão de Legislação Social, elabora 86 projetos que se tornam a Lei Orgânica da Previdência Social, vigente por mais de 30 anos.

É eleito deputado federal outras três vezes seguidas (em 1950, 1954 e 1958). Em 1960, licencia-se do cargo no meio do quarto mandato para concorrer ao governo do Estado contra Djalma Marinho, candidato apoiado pelo então governador Dinarte Mariz.

Nesse ano, adquire a rádio Cabugi, comprada da família do senador Georgino Avelino, para somar à Tribuna do Norte, que ele havia fundado em 1950.

Aluízio entra na disputa ao governo com fortes alianças, uma campanha estrategicamente planejada e inovadora para a época, além de seu enorme carisma e poderosa oratória.

Eleito governador com 121.076 votos, toma posse no dia 31 de janeiro de 1961 e já começa a realizar seu plano de governo e cumprir os compromissos de campanha, fazendo importantes obras em todas as áreas – infraestrutura, educação, habitação, saúde, cultura e turismo.

Juscelino Kubitschek e Aluízio Alves.
Os escritores, os poetas, os artistas, traduzirão melhor as angústias pressentidas, os gritos sufocados, nas obras de sua ficção, de sua arte, de sua beleza. Nós, apenas tentaremos adivinhar o coração do povo e, fazendo a pobre e penosa obra de arte política, manter acesa, nesse coração inquieto, a chama de suas esperanças.
- Aluízio Alves
(“Mensagem ás elites”, na abertura do primeiro Festival de escritor Norte-riograndense, em 1961.)
Em campanha eleitoral nos anos 60.

Um governo revolucionário

Todas as obras, sem exceção, foram visitadas por Aluízio Alves e Antônio Porpino, seu secretário itinerante.

O Rio Grande do Norte era um dos estados mais atrasados do país quando Aluízio Alves assumiu o governo, em 1961.

Praticamente não havia infraestrutura básica e a população sofria com as seguidas secas. Como se isso não bastasse, o Estado encontrava-se empobrecido e endividado .

É nesse cenário adverso que Aluízio Alves dá início a uma gestão inovadora que garantiria o desenvolvimento do Estado e lançaria o alicerce de sua modernidade, com obras e iniciativas que repercutem até hoje.

Ele começa dotando o RN de infraestrutura para que o Estado possa receber indústrias e investimento financeiros, com grandes benefícios à população. Trata, então, de investir em infraestrutura elétrica, rodoviária, construindo 365,6 km de estradas, além de telecomunicações.

Uma de suas maiores realizações foi a inclusão do Estado no plano de fornecimento de energia elétrica pela Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), depois de uma luta que já durava mais de uma década.

Entre 1961 e 1964, são implantadas as companhias de serviços elétricos (Cosern), de serviços telefônicos (Telern), de águas e esgotos (Caern), de habitação (Cohab), de desenvolvimento (Codern) — responsável pelo planejamento e orientação das ações governamentais — e também o Serviço Cooperativo de Educação (Secern).

Grandes avanços na educação

A educação era um dos maiores desafios do governo Aluízio Alves. O RN apresentava um índice altíssimo de analfabetos, superior a 65% da população. Havia pelo menos 140 mil crianças fora da escola, representando mais da metade da população escolar infantil.

Para mudar esse quadro, o governo lança o plano de “Fazer em 3 anos o que não se fez em três séculos” e elabora diversos projetos, executados com recursos próprios e da Aliança para o Progresso, Sudene e MEC.

A grande meta era alfabetizar 100 mil pessoas acima da idade escolar primária, construir mil salas de aula e estender a escolaridade a todas as crianças do Estado.

Aluízio Alves e Bob Kennedy fazendo o símbolo da campanha de Aluízio na inauguração do Instituto Kennedy.

Para educar o maior número de pessoas no menor tempo, lança a Experiência de Angicos, quando foi adotado o método Paulo Freire. Em 40 dias, a experiência encerra-se com resultados que despertam a atenção de todo o Brasil: aproveitamento de 70% na alfabetização e 80% na conscientização cívica.

Em 1965, o número de professores cresce em 61% comparado ao que havia em 1960, e a capacidade de matrícula aumenta cerca de 63% nesse período.

No ensino de primeiro grau, são construídas 253 salas de aula em 67 escolas. No ensino secundário, o governo constrói três escolas: o Instituto Padre Miguelinho, o Centro Educacional Winston Churchill e o Instituto Presidente Kennedy, cuja inauguração, em 22 de novembro de 1964, conta com a presença do irmão do presidente John Kennedy, o então senador Robert Kennedy.

No ensino superior, cria a Faculdade de Jornalismo, instala o Instituto Juvenal Lamartine de Pesquisas Sociais e também adquire a Faculdade de Filosofia.

É em sua gestão ainda, que nasce a Fundação José Augusto, uma espécie de secretaria para assuntos culturais equipada com biblioteca pública, o Centro de Estudos Afro-Asiáticos, o Centro de Cultural Hispânica e a Escola de Arte Infantil Cândido Portinari.

O governo Aluízio Alves adota ainda uma política de bem-estar social da maior importância. Investe no campo da saúde, assistência social e habitação popular. Através da Cohab, constrói a Cidade da Esperança, primeiro conjunto habitacional do RN.

Através da Superintendência do Turismo, criada em sua gestão, são construídos hotéis em várias cidades do Estado. Natal ganha o Hotel Reis Magos, o primeiro de categoria internacional.

Foram cerca de 1.300 obras em 1.825 dias. Por ter criado as condições para que o Estado pudesse se desenvolver, pela modernização que implantou, seu governo foi considerado por alguns como verdadeiramente revolucionário.

O famoso Trem da Esperança.

Marqueteiro Nato

A figura do profissional de marketing político como se conhece hoje só iria aparecer muitos anos depois da vitoriosa campanha de Aluízio Alves para governador do Rio Grande do Norte, mas já ali, em 1960, ele se revela um grande marqueteiro.

Muito da campanha é estrategicamente planejado, como as Vigílias da Esperança, em que centenas de correligionários passavam noites e madrugadas em festa com orquestras e batucadas acompanhando as ala-moças, grupo de mulheres que cantavam as marchas e hinos da campanha.

As letras falavam de um candidato predestinado a realizar uma missão nobre, sagrada, profética: retirar o povo norte-rio-grandense da miséria.

Muitos símbolos são utilizados na inovadora campanha. A cor verde, por exemplo, representando a esperança, estava presente em bandeiras, lenços, roupas e galhos de árvores.

Outro signo marcante é o dedo polegar em sinal positivo estampado em camisetas, agendas, botons, adesivos e até em azulejos.

Aluízio cruza todo o Rio Grande do Norte nos chamados caminhões e trens da esperança. Ele não só discursava, como ouvia e abraçava o povo nos centros urbanos e nos lugares mais longínquos e de difícil acesso.

Em visita a Pau dos Ferros, município do Alto Oeste do RN, Aluízio demonstra toda sua sagacidade política. No caminho, correligionários haviam dito a ele que seu adversário, durante comício na véspera, o tinha chamado de “cigano”, por sua vida nômade naquela campanha.

Aluízio ouve e permanece calado. Ao subir no palanque, começa o discurso com a frase: “Pau dos Ferros, o cigano chegou!”, passando a “ler” a mão de agricultores, donas de casa, comerciantes, estudantes e muitos outros na multidão.

Foto oficial da campanha eleitoral de 1960.
Aos que me dizem que a tarefa é difícil, respondo: Mais uma razão para tentá-la. Aos que me advertem que a marcha é longa, respondo: Mais uma razão para darmos logo o primeiro passo. Aos que me dizem que o itinerário está juncado de ódios, respondo que o ódio, como os pardais chineses que as crianças matavam cansando-os no vôo, também ele cansará se todos nos unirmos para apagá-lo ou destruí-lo, com a consciência de que a casa dividida não sobrevive porque dela deserta o amor e só o amor constrói a esperança.
- Aluízio Alves
(Discurso de posse de seu governo, em 31 de janeiro de 1961.)
Em comício, populares agitam ramos verdes, um dos símbolos da campanha de Aluízio para governador.

Ovacionado, incorpora o adjetivo definitivamente à sua imagem durante toda a campanha. A mesma coisa faz com a expressão “gentinha”, outro termo supostamente pejorativo usado pelo candidato adversário ao identificar o eleitorado de Aluízio Alves.

Novamente, inverte o sentido e o jogo a seu favor, passando a se referir a seus eleitores, principalmente os mais humildes, como “minha gentinha”.

Campanha de 1965, no caminhão da Esperança - Da equerda para direita , Deputado Erivan França, Monsenhor Walfredo , o jornalista João Machado preparando a locução e Aluízio Alves.

Atuações marcantes como deputado e ministro

Mais novo deputado federal eleito no país e representante do Rio Grande do Norte na Constituinte de 1946, Aluízio Alves é escolhido relator dos 86 projetos para modernização do sistema previdenciário brasileiro.

O jovem deputado queria elaborar uma lei orgânica para corrigir os erros identificados e aproveitar o que havia de bom sobre o assunto no mundo.

Com essa intenção, estuda os regimes de previdência de sete países — Venezuela, Uruguai, Peru, Paraguai, México, Equador e Argentina.

Na função de relator, cuida também de examinar a legislação dos Estados Unidos e do Canadá e o decreto-lei brasileiro de maio de 1945 que instituiu a Lei Orgânica dos Serviços Sociais. Ao final do trabalho, apresenta a Lei Orgânica da Previdência Social.

Na Constituição de 1946, temos pela primeira vez incluída a expressão “Previdência Social” e também a inclusão do seguro acidente do trabalho. As regras de concessão dos benefícios são, então, uniformizadas.

Aluízio Alves também tem importante participação na transposição do rio São Francisco, projeto que visa beneficiar 12 milhões de habitantes das cidades do semiárido nordestino, região mais afetada pela seca.

Atualmente em execução, o projeto foi realizado na gestão dele à frente do Ministério da Integração Regional, durante o governo de Itamar Franco, que assumiu a presidência da República em 1992, substituindo Collor.

O Comunicador

Da Tribuna da Imprensa ao sistema Cabugi.

A partir de 1946, quando assume o cargo de deputado federal e se muda para o Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, Aluízio Alves começa a conviver com grandes líderes da política nacional, tornando-se amigo de vários deles.

A atuação dentro da União Democrática Nacional (UDN) faz com que se aproxime, dentre outros, do jornalista e político Carlos Lacerda, que na época assinava uma coluna da Tribuna da Imprensa no Correio da Manhã, acompanhando a elaboração constitucional.

“Conversávamos vez por outra. E dessa convivência nasceu uma fraterna, confiante e profunda amizade”, conta Aluízio no livro “O que eu não esqueci”.

É Aluízio quem aconselha Carlos Lacerda a abrir o próprio jornal. A ideia dele era organizar uma sociedade anônima, com a participação de amigos e admiradores do trabalho de Lacerda no jornalismo.

O jornal Tribuna da Imprensa nasce em uma reunião na casa de Carlos Lacerda com a nata da intelectualidade nacional — nomes como Fernando Cícero Velloso, Alceu Amoroso Lima, Prado Kelly, Adauto Lúcio Cardoso, Bilac Pinto, Milton Campos, Prudente de Morais Neto e Odylo Costa Filho.

A Tribuna da Imprensa torna-se o grande jornal da oposição no final do governo Dutra e durante os governos Vargas, Nereu Ramos (interino) e João Goulart, com apoio aos governadores Café Filho e Jânio Quadros.

Entre 1949 e 1958, Aluízio Alves desempenha a função de redator-chefe e também de diretor substituto do jornal durante as ausências prolongadas de Carlos Lacerda. Em boa parte desse período, divide-se entre a Tribuna da Imprensa e a Tribuna do Norte, que funda em Natal em 1950.

O sucesso do jornal leva Aluízio a comprar, em 1962, a Rádio Cabugi, uma pequena emissora de 1 KW, de propriedade do senador Georgino Avelino.

Três décadas depois, ele inaugura a TV Cabugi, completando o sistema Cabugi de comunicação, um marco nos meios empresariais e jornalísticos do Estado.

Assinatura de aquisição da TV Cabugi. Antônio Carlos Magalhães, ladeado do diretor administrativo do jornal Tribuna do Norte, Ricardo Alves e Aluízio Alves (Superintendente do sistema Cabugi de comunicação) - fevereiro de 1987.
Resistente às novas tecnologias, Aluízio Alves sempre escreveu em sua máquina de datilografar.
Angicos, publicado em 1938, foi o primeiro livro escrito por Aluízio.

O ESCRITOR E EDITOR

No ano de 1937, o político José Augusto, que já tinha sido governador, senador e deputado federal, estava em Fortaleza como supervisor regional da Equitativa de Seguros e convidou Aluízio Alves para trabalhar com ele.

Convite aceito, na capital cearense Aluízio tem a ideia de iniciar a Biblioteca de História Norte-rio-grandense. Seu objetivo era republicar livros importantes, como os de Tavares de Lyra, Rocha Pombo e Câmara Cascudo, e ainda publicar a história de 48 municípios, fazer a biografia de figuras ilustres e reeditar obras inéditas de escritores e poetas.

A coleção funciona como um sistema pioneiro de assinaturas, antecipando o sucesso de experiências de âmbito nacional como o Círculo do Livro, por exemplo. Para tocar o projeto, Aluízio Alves volta a Natal nas férias de julho e faz os convites, contrato, registro legal e a edição dos livros do primeiro ano.

Em 1938, com 18 anos incompletos, começa a escrever o livro “Angicos”, que sai pela coleção. A obra, concluída em 1939, é descrita pelo jornalista e escritor Vicente Serejo como “uma pesquisa de vasto olhar sobre a história e a vida do seu povo, numa visão moderna para o seu tempo”. Quando vem para o lançamento do livro em Natal, Aluízio Alves não volta mais para Fortaleza.

José Augusto segue para o Rio de Janeiro e ele fica na capital potiguar cuidando da coleção, que chega a ter sete livros publicados, com 1.500 assinaturas e uma tiragem mínima de 2 mil exemplares.

A atividade literária, apesar de não ocupar o centro das preocupações intelectuais de Aluízio, o atraia. Ele estava sempre lendo e também escrevia, elegendo-se, na segunda metade da década de 70, para a Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Além de “Angicos”, escreve e publica “A Paróquia de São José de Angicos”, “A Previdência Social no Brasil”, “A Previdência Social no Brasil e no Mundo”, “A Função Social do Acidente de Trabalho”, “Nordeste: Problemas de Recuperação”, “Sem Ódio e Sem Medo”, “A Verdade Que Não é Secreta”, “Lutar Pelos Pobres”, “No Presente Com os Olhos no Futuro”, “Política e Cultura” e “O Que Eu Não Esqueci”.

O LEGADO

Aluízio inaugura a linhagem política.

Aluízio não foi o único Alves a seguir carreira política, mas foi o pioneiro, abrindo caminho para outros da família.

O irmão Agnelo Alves, também jornalista, foi prefeito de Natal, senador, prefeito de Parnamirim duas vezes e deputado estadual. Quando morreu, em 2015, exercia o segundo mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.

Outro irmão de Aluízio, Garibaldi Alves (pai do hoje senador Garibaldi Alves Filho), foi eleito deputado estadual do RN três vezes consecutivas (em 1958, 1962 e 1966) e se tornou vice-governador do Estado na gestão de Geraldo Melo (1987-1991).

Aluízio elege, em 1970, o filho Henrique Eduardo Alves, com 21 anos, deputado federal pelo MDB. Seria o primeiro de 11 mandatos consecutivos de Henrique na Câmara dos Deputados, da qual chegou a ser presidente.

Nos bastidores, Aluízio Alves ajudou também a eleger o sobrinho Garibaldi Alves Filho para dois mandatos como governador do Estado (em 1994 e 1998). Garibaldi exerceu ainda quatro mandatos seguidos de deputado estadual e foi uma vez prefeito de Natal, eleito em 1985.

Carlos Eduardo Alves, filho de Agnelo e sobrinho de Aluízio, exerceu quatro mandatos consecutivos de deputado estadual e foi eleito prefeito de Natal duas vezes (em 2004 e 2012).

Depoimentos

Aluízio na visão dos amigos.

CRONOLOGIA

(1921-2006)

  • 1933

    Participa, em Natal, da fundação do Partido Popular (PP), redigindo a ata da reunião ocorrida em 12 de fevereiro. Único menino presente à solenidade, aparece na foto histórica com os fundadores da legenda — José Augusto, Dinarte Mariz, Eloy de Souza e outras figuras importantes da cena política do RN.

  • 1942

    Aos 21 anos, assume a coordenação do Serviço Estadual de Reeducação e Assistência Social e a LBA, atuando no atendimento aos flagelados da seca e migrantes que se deslocam do interior do RN para Natal.

  • 1945

    Com 24 anos, é eleito deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte.• Ivone dá à luz o primeiro filho do casal, Aluízio Alves Filho.

  • 1946

    Deputado da UDN, se destaca nos debates da Assembleia Nacional Constituinte como um defensor dos trabalhadores. Sua capacidade de trabalho o leva à secretaria-geral do partido.

  • 1948

    Aluízio Alves e Ivone Lira Alves têm um casal de gêmeos. Henrique Eduardo Alves que viria a ser seu maior herdeiro político e Ana Catarina Alves nascem no dia 30 de setembro.

  • 1949

    Assume a direção da Tribuna da Imprensa, jornal de Carlos Lacerda.

  • 1950

    É reeleito deputado federal, funda o jornal Tribuna do Norte e se forma em Direito, em Maceió.

  • 1954-58

    Obtém mais dois mandatos, sucessivos, para a Câmara Federal. Participa de comissão e missões internacionais voltadas para os interesses sociais dos trabalhadores.

  • 1960

    A UDN participa da articulação para a candidatura de Jânio Quadros à presidência da República, na sucessão de JK. Aluízio é um dos articuladores, convencendo Jânio a aceitar a candidatura.

  • 1961

    Eleito governador do RN com 121.076 votos, toma posse no dia 31 de janeiro. Apenas 22 dias antes nascera seu quarto filho com Ivone Lira, Henrique José.

  • 1962

    Integra um grupo de governadores, entre eles Virgílio Távora (CE) e Magalhães Pinto (MG), que articula a campanha do plebiscito pela volta ao presidencialismo, vitoriosa em janeiro de 1963.

  • 1963

    Em abril, na cidade de Santa Cruz, com a presença do presidente João Goulart, inaugura a primeira etapa da linha de transmissão da Chesf, trazendo energia elétrica para o RN.

  • 1966

    Em 31 de janeiro, transmite o cargo de governador ao sucessor eleito por ele, Monsenhor Walfredo Gurgel. Aluízio é eleito deputado federal pela antiga Arena.

  • 1970

    Na campanha daquele ano, elege o filho Henrique Eduardo Alves pelo MDB. Com 21 anos, Henrique chega à Câmara ainda mais jovem que o pai em 46.

  • 1974

    Coordena, a campanha de oposição no RN, reelegendo Henrique Eduardo para a Câmara e elegendo Agenor Maria para o Senado.

  • 1976

    É eleito vice-presidente do grupo União de Empresas Brasileiras (UEB).

  • 1977

    É eleito para ocupar uma cadeira entre os imortais da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

  • 1978

    Firma aliança com o grupo Maia, apoiando Jessé Freire para o Senado. É a “paz pública”.

  • 1980

    Anuncia o rompimento com o então governador Lavoisier Maia, pondo fim ao episódio da “paz pública”. No ano seguinte, anuncia que será candidato ao governo do RN pelo PP.

  • 1982

    O PP se funde com o PMDB. Aluízio mantém a candidatura ao governo do RN e reedita o estilo de campanha popular pelo interior do Estado, mas perde a eleição para José Agripino (PDS).

  • 1985

    Com a morte do presidente Tancredo Neves e a posse de José Sarney, Aluízio assume, por convite o Ministério da Administração no governo da Nova República.

  • 1990

    Mais uma vez candidato à Câmara Federal, elege-se para o sexto mandato no Congresso Nacional, ao lado do filho Henrique Eduardo, mas passa pouco mais de um ano no cargo.

  • 1992

    É convidado para o Ministério do Desenvolvimento Regional pelo presidente Itamar Franco, que acabara de assumir o cargo em substituição a Collor. Na função de ministro, Aluízio elabora o projeto para a transposição do rio São Francisco.

  • 1995

    Elege-se, pela última vez, deputado federal. No final do mandato, decide se dedicar exclusivamente ao PMDB potiguar. Conduz uma grande campanha de reorganização e filiação ao partido.

  • 2003

    Morre dona Ivone Lira Alves, companheira de Aluízio desde 1944.

  • 2005

    Já com a saúde debilitada, passa a direção do PMDB para o filho Henrique Eduardo.• No dia 12 de agosto, é inaugurado em Natal, no bairro de Candelária, em frente a TV Cabugi, o Memorial Aluízio Alves, com um acervo de mais de cinco mil peças que reconstituem sua trajetória de vida, profissional e política.

  • 2006

    É internado no início da tarde do dia 2 de maio, após sofrer paradas respiratória e cardíaca. Morre às 14h55 do dia 6, na UTI do hospital São Lucas, em Natal, aos 84 anos.

A Exposição

Exposição Aluízio Alves - 10 anos de saudade.

No ano em que completa 10 anos de sua ausência, o Morada da Paz em parceria com o Memorial Aluízio Alves, realiza a Exposição Aluízio Alves, 10 anos de Saudades em homenagem a vida deste grande nome da história do RN.

Agradecimento especial:

Memorial Aluízio Alves

Rua Coronel Miguel Arcanjo

Galvão, 2200 - Natal/RN

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